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Síndrome de Tourette: como lidar na sala de aula

Cláudia Pereira
Escrito por Cláudia Pereira

A síndrome de tourette compreende um conjunto de sintomas que podem afetar o comportamento e o desempenho escolar da criança. Embora seja difícil de gerir e perturbadora, tanto para o professor como para os outros alunos, é possível estabelecer algumas estratégias para que todos possam aprender num ambiente tranquilo e saudável.


O que é a Síndrome de Tourette?

A Síndrome de Tourette é uma perturbação do foro neurológico que, normalmente, se torna mais presente na idade escolar. Por isso, os professores, assim como os pais, percebem em primeira mão os principais sintomas que a criança apresenta:

  • Tiques motores involuntários – piscar olhos, caretas, bater com os dedos, tocar em objetos de forma repetitiva, mover cabeça e ombros de forma brusca;
  • Tiques fónicos – sons, gritos, risos, ecolalia (repetição do que outra pessoa ou a própria criança acabou de dizer) e coprolalia (dizer palavras socialmente inapropriadas);
  • Inconstância dos sintomas – muito intensos num determinado momento e quase sem sintomas noutra altura;
  • Mudança de sintomas – numa determinada idade a criança apresenta uns sintomas, no ano seguinte pode apresentar outros sinais diferentes.

Dicas para Lidar com Tourette na Sala de Aula

Em primeiro lugar, é importante perceber que o comportamento da criança é involuntário, ou seja, quando os tiques ou outras atitudes surgem, a criança não está a “fazer de propósito” para desafiar o professor ou destabilizar o ambiente na sala de aula. Naquele momento, a criança não controla o seu comportamento.

No entanto, é capaz de perceber quando vai entrar em crise, o que permite criar estratégias para que aprenda e se sinta incluída na sala de aula. Deixamos algumas sugestões para lidar com a criança com síndrome de tourette durante as aulas:

  1. Aceite a criança – distinga a criança do seu comportamento involuntário, promovendo a sua integração;
  2. Lide com os tiques de forma calma – compreensão e paciência são aspetos fundamentais para a criança se sentir bem, para além de estar a dar o exemplo aos restantes alunos de como se devem comportar;
  3. Ignore tiques que não causem distração – se a criança está a piscar os olhos ou a fazer caretas, mas não está a incomodar os colegas, não chame a atenção; lembre-se que os tiques surgem e desaparecem;
  4. Intervenha sempre que necessário – quando a criança tem um comportamento recorrente distrativo, encontre formas de o minimizar. Por exemplo, se faz barulhos na secretária, experimente forrar o tampo da mesma com tecido ou borracha;
  5. Estabeleça momentos de pausa – pequenos intervalos são essenciais para aliviar a tensão interior ou promover a recuperação após a ocorrência de tiques (fazer pequenos recados, sair para beber água, recolher algo no exterior, etc)
  6. Crie um local para a criança estar à vontade – quando a criança sente que vai entrar numa crise, pode dirigir-se a este local para recuperar calmamente, evitando distrair os colegas;
  7. Momentos diferenciados para entrar e sair da sala de aula – para evitar confrontos e situações desagradáveis entre aluno com síndrome de tourette e os colegas, pode estabelecer-se que  entra na sala antes de os colegas e sai com o professor;
  8. Sente a criança no melhor local possível – preferencialmente onde cause menos distração para ela próprio e para os colegas;
  9. Trabalhe com outros alunos da turma – é importante que os colegas de turma compreendam o que é a sindrome de tourette e como se manifesta, diminuindo, assim, as implicâncias e ridicularizações;
  10. Promova a autoestima – dê feedback positivo e imediato para uma tarefa bem-feita, através de palavras e ações.

Para além destas estratégias gerais, a criança com síndrome de tourette também pode apresentar distúrbios associados, como comportamentos obsessivo-compulsivos, TDAH e outras dificuldades de aprendizagem, por isso, é necessário recorrer a mecanismos para facilitar a aquisição do conhecimento:

  • Certifique-se que a criança compreendeu a tarefa e o prazo em que deve ser executada;
  • Permita tempo extra para realização de avaliações formais, isto porque, muitas vezes, a tensão típica das provas causa tiques;
  • Possibilite o acesso a computadores ou gravadores áudio para a realização de trabalhos e exames;
  • Permita provas orais, mas evite a sua realização perante toda a turma, para evitar o stress;
  • Forneça apontamentos das aulas, caso a criança não tenha conseguido acompanhar devido aos tiques motores;
  • Avalie a caligrafia baseando-se no esforço do aluno;
  • Utilize material facultativo para exercícios de matemática (papel milimétrico e calculadora);
  • Use imagens e roteiro da aula para facilitar a concentração;
  • Forneça instruções por etapas, motivando a criança a repetir o que foi pedido.

Bibliografia

  • “Educator Guide to Tourette Syndrome” – Tourette Syndrome Association;
  • Ana Paula Terra, Regina de Cassia Rondina; A interação escolar de uma criança com síndrome de Tourette, de acordo com as perceções de pais e professores: um estudo de caso exploratório;
  • Revista Brasileira de Educação Especial, vol. 14, n.º 3, Set/Dez 2008.

Sobre o Autor

Cláudia Pereira

Cláudia Pereira

Educadora Social, formadora certificada, especialista em educação, dificuldades de aprendizagem e necessidades educativas especiais.
Empreendedora digital, criativa e apaixonada por implementar novas ideias!