Saúde Infantil

Distimia: doença do mau humor que também afeta as crianças

Cláudia Pereira
Escrito por Cláudia Pereira

O seu filho anda mais cansado, sem vontade brincar ou estar com os amigos? Pode ser uma fase, mas também pode indicar distimia, uma forma leve de depressão infantil. Explicamos o que é a distimia, quais os principais sintomas que a criança pode apresentar e como lidar com uma criança que está a passar por este estado depressivo.


O que é a Distimia

A doença do mau-humor, é, na verdade, um tipo de depressão também chamada de Transtorno Depressivo Persistente, sendo que tem sintomas que se manifestam de forma mais branda que a depressão maior.

A distimia caracteriza-se principalmente pela falta de prazer ou divertimento na vida e pelo constante sentimento de negatividade que pode se manifestar desde a infância ou adolescência, e faz com que os indivíduos possam ter dificuldades em percebê-la, pensando que estas características fazem parte da sua personalidade.

O termo distimia originalmente vem das palavras gregas dys — defeituoso, anormal ou irregular — e thymia — Timo, órgão linfático que se acreditava estar associada ao controle do humor. Na infância, a distimia manifesta-se entre os 6 e os 11 anos.

Esse tipo de transtorno afetivo interfere na vida das crianças e prejudica o seu rendimento escolar e o relacionamento com a família e amigos, trazendo grande sofrimento já na infância.

Sintomas de Distimia na Criança

Os sintomas da distimia persistem, pelo menos, por 2 anos. Em caso de distimia a criança apresenta estes sinais:

  • Está sempre irritada;
  • Não se contenta com nada;
  • Mostra-se infeliz na maior parte do tempo;
  • Tem baixa autoestima;
  • Perda de apetite ou alimentação exagerada;
  • Chora por motivos que seriam banais para outras crianças da mesma idade;
  • Desinteresse ou perdado prazer pela maioria das suas atividades;
  • Sofre de insónia ou dorme excessivamente;
  • Sente-se sozinha e rejeitada;
  • Sente-se inferior às outras crianças;
  • Sente-se desmotivado;
  • Tem poucos amigos e uma vida social limitada;
  • É indeciso;
  • É medroso;
  • Tem um espírito crítico elevado;
  • Tendência para consumir álcool, tabaco e drogas;
  • Diz que pensa em fugir ou se matar, embora nem sempre tenha coragem;
  • Inteligência normal ou acima da média.

O diagnóstico deve ser feito pelo médico observando os sintomas e através de perguntas direcionadas aos pais. Queixas como baixo rendimento escolar e não gostar de brincar ou não ter amigos são comuns.

Por vezes, associa-se dislexia e outras dificuldades de aprendizagem à distimia, na medida em que a criança ou adolescente poderá chegar ao ponto da depressão, se as suas dificuldades não forem diagnosticadas e trabalhadas convenientemente.

Como tratar a Distimia na Criança

Após o diagnóstico é necessário realizar o tratamento, que inclui a psicoterapia individual ou familiar, e o uso de medicamentos antidepressivos, com baixas doses também pode ser indicado. Os efeitos colaterais destes nas crianças são semelhantes aos dos adultos e por isso é recomendado vigiar o funcionamento cardíaco periodicamente.

Distimia e Necessidades Educativas Especiais

As crianças e adolescentes que apresentam necessidades especiais, como dislexia, autismo e hiperatividade são mais propensas a sofrer com a distimia porque podem ter mais dificuldade de se relacionar com outras crianças da mesma idade, pelas suas peculiaridades.

Assim, é importante trabalhar a autoestima destas, além de seguir o tratamento proposto pelo médico, sem descuidar dos tratamentos indicados para a sua necessidade.

Sobre o Autor

Cláudia Pereira

Cláudia Pereira

Educadora Social, formadora certificada, especialista em educação, dificuldades de aprendizagem e necessidades educativas especiais.
Empreendedora digital, criativa e apaixonada por implementar novas ideias!